Ela diz que jamais terá um animalzinho de estimação porque ele faria dela uma pessoa feliz, e isso ela não quer.
A felicidade é uma coisa que a domina e ela detesta ser dominada. A felicidade a reprime tanto que ela jamais conseguiu escrever uma frase sequer num momento de alegria. Ela costuma dizer que a felicidade a insulta com sorrisos inúteis, olhinhos revirados e bobagens ao pé do ouvido. Disso, ela quer distância!
O que ela quer é o desespero de um poço bem fundo. É o gosto amargo da rejeição, do fracasso e da angústia. Quer flertar com a morte e escrever os poemas mais lindos, que falem de dor, de remorso e tristeza.
Então, eu a deixo como está: depressiva e amarga. E me delicio com as doçuras que ela escreve...
Deidy Cunha
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